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Pesquisa biográfica colaborativa discute migração nacional e conexões com racismo e homofobia

Murilo Gomes realizou uma pesquisa etnográfica utilizando metodologia biográfica e colaborativa. Saiba mais.

O pesquisador Murilo dos Santos Gomes, do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística (PPGLL) da Universidade Federal de Goiás (UFG), defendeu a  dissertação intitulada “Quatro modos de falar em intersecções: experiências de homens gays negros migrantes” em março de 2026, na Faculdade de Letras (FL/UFG), por meio de banca virtual, presidida pela orientadora Profa. Joana Plaza Pinto (UFG), e composta pela Profa. Glenda Cristina Valim de Melo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Prof. Danillo da Conceição Pereira Silva da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

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Defesa da dissertação, acervo pessoal (2026).

 

O trabalho investigou como homens gays negros em contexto de migração nacional e urbana narram suas experiências e lidam com questões relacionadas ao racismo, à homofobia e às desigualdades sociais. A partir de uma metodologia etnográfica de abordagem biográfica e colaborativa, a pesquisa analisa entrevistas e uma oficina denominada “Linha da Vida da Sexualidade”, construída coletivamente com os participantes do estudo.  A dissertação parte da compreensão de que identidades são construídas de forma relacional, contingente e contextual, seguindo os conceitos de Hall (2009; Piscitelli (2008) e Brah (2006), sendo atravessadas por marcadores como raça, gênero, sexualidade e migração. Nesse sentido, a linguagem ocupa papel central, entendida como prática performativa que produz sentidos sobre os corpos e as identidades.

Como proposta analítica, o estudo apresenta um modelo orbital de articulação das intersecções, buscando compreender como diferentes marcadores sociais assumem maior ou menor centralidade nas narrativas dos participantes de acordo com os contextos vividos. A análise identificou quatro modos recorrentes de falar em intersecção, evidenciando disputas metapragmáticas, reconfigurações identitárias e diferentes estratégias de enfrentamento e ressignificação das violências sociais.

A pesquisa também dialoga com perspectivas feministas, queer e decoloniais, além de mobilizar conceitos como performatividade da linguagem, escrevivência e ancestralidade. Ao longo do texto, é articulada escrita acadêmica, narrativa autobiográfica e produção poética como parte do próprio processo de construção do conhecimento.

Vinculada à linha de pesquisa Linguagem, Sociedade e Cultura (LP5) e financiada com bolsa de mestrado da Capes, a dissertação articula debates sobre linguagem, identidade e desigualdade social. O trabalho oferece contribuições relevantes aos estudos interseccionais de migração, raça e sexualidade.

Categorias: Racismo homofobia Pragmática Diferença